Após 60 anos e mais de 1.300km, Seleção busca o ouro em Wembley
Viagens de ônibus, trajetos longos... Brasil supera
estradas do Reino Unido e vai encarar México neste sábado pela final das
Olimpíadas de Londres
Por Márcio Iannacca
Direto de Londres, Inglaterra
Foram 60 anos de tentativas frustradas. Derrotas inesperadas. E muita
estrada até a decisiva partida deste sábado, às 11h (de Brasília),
contra o México, no mítico Wembley, em Londres. Até o derradeiro jogo
que pode dar a inédita medalha de ouro à seleção brasileira, o time
comandado por Mano Menezes percorreu mais de 1.300 km entre idas e
vindas pela Grã-Bretanha, entre Inglaterra e o País de Gales. Agora, 90
minutos separam Neymar, Thiago Silva, Oscar, Leandro Damião & cia. do olimpo do futebol pentacampeão do mundo.
O confronto deste sábado será transmitido ao vivo pelo SporTV e em
Tempo Real pelo GLOBOESPORTE.COM. O último trajeto da Seleção em busca
do ouro é o menor, “apenas” 35km até o palco da decisão, entre St.
Albans e Londres. Mas antes disso, a trajetória foi árdua. Até mesmo no
treino da última quinta-feira, na capital inglesa, a distância não
ajudou. Para chegar ao Elthan College, a delegação percorreu outros
95km.
- Nas outras Olimpíadas viajamos assim também. Mas está bem tranquilo.
Na outra, em Pequim, foi bem mais difícil – avaliou Marcelo, que
participou da campanha do bronze em 2008 na Seleção treinada por Dunga.
Para buscar o ouro que nomes como Gerson, Falcão, Roberto Dinamite,
Junior, Dunga, Romário, Bebeto, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho não
conseguiram, Neymar & cia. tiveram que rodar - e muito - somente de
ônibus, por recomendação do Comitê Olímpico Internacional. A viagem
começou no dia 25 de julho. A delegação deixou a concentração em St.
Albans, na Inglaterra, e foi para Cardiff, no País de Gales, outro país
do Reino Unido. Foram 255km para encarar o Egito na estreia. E a
trajetória começou com o pé direito: 3 a 2 nos rivais. Em seguida, pé na estrada rumo a Manchester, de volta à Inglaterra. Mais 305km e triunfo sobre a Bielorrússia (3 a 1).
Neymar após mais uma viagem de ônibus da Seleção : 'Deito no chão e durmo' (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Para encerrar a fase de grupos, um percurso um pouco menor: 245km até
Newcastle. Uma vitória sobre a Nova Zelândia garantiria a permanência na
cidade ao norte da Inglaterra por mais uma jornada. E foi o que
aconteceu. Vitória por 3 a 0 sobre a equipe da Oceania
e mais alguns dias na terra que teve o primeiro brasileiro na Primeira
Divisão inglesa: Mirandinha. Nas quartas de final, no mesmo St. James
Park, triunfo por 3 a 2 sobre Honduras.
Eu deito no chão do ônibus e durmo a viagem inteira "
Neymar
Recém-negociado pelo Internacional com o Chelsea, de Londres, o camisa
10 Oscar deu o tom das viagens de ônibus da Seleção pela Grã-Bretanha.
- Temos feito de tudo. Nós dormimos, brincamos, jogamos baralho.
Procuramos brincar muito para o tempo passar mais rápido. Quando cansa,
nós dormimos, descansamos. Criamos uma grande amizade entre nós
jogadores e isso tem ajudado muito nessa caminhada. Tomara que o grupo
vá concentrado para o jogo e consiga esse inédito ouro – disse o
apoiador.
Após a vitória sobre Honduras, pelo menos mais duas viagens. A primeira
marcou a volta a Manchester e a Old Trafford para encarar a Coreia do
Sul na semifinal. Na estrada, a luta foi para superar os 245km de volta
até a cidade dos rivais United e City. Em campo, goleada sobre os sul-coreanos por 3 a 0 e vaga na tão sonhada final das Olimpíadas.
- Não vejo nada da estrada (risos). Eu deito no chão do ônibus e durmo a
viagem inteira. Só acordo no hotel – disse Neymar, que já marcou três
vezes no torneio.
Frustrações em 60 anos de Seleção nas Olimpíadas: duas pratas e dois bronzes
O futebol masculino começou a ser disputado oficialmente nos Jogos em
1908, quando a Grã-Bretanha ficou com o ouro em Londres. O Brasil
estreou apenas em 1952, em Helsínque, mas o time que contava com nomes
como Evaristo de Macedo (ídolo de Flamengo, Barcelona e Real Madrid),
Zózimo e Vavá (bicampeões do mundo em 1958 e 1962) não passou das
quartas de final.
O Brasil jogou ainda em 1960 (o "canhotinha" Gerson era o destaque),
1964, 1968, 1972 (com Roberto Dinamite, Abel Braga e Falcão) e 1976 (com
Junior, atual comentarista da TV Globo), mas a primeira medalha veio
somente em 1984: Gilmar Rinaldi, Mauro Galvão e Dunga participaram da
campanha de prata, com derrota para a França na final.
A
seleção brasileira medalha de prata em 1988 tinha nomes como André
Cruz, Taffarel, Andrade, Luis Carlos Winck, Jorginho, Bebeto, Neto e
Romário. Camisa amarela e calção verde (Foto: Divulgação / CBF)
Quatro anos depois, foi a vez da geração de Romário, Bebeto, Taffarel e
Jorginho também ficar com o segundo lugar após queda para a União
Soviética na decisão. O Brasil retornou aos Jogos em 1996 com um "Dream
Team": nomes como Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Dida, Aldair, Bebeto,
Roberto Carlos e Juninho Paulista eram treinados por Zagallo, mas um gol
de ouro do nigeriano Kanu acabou com o sonho do ouro e a equipe acabou
conquistando apenas o bronze.
Em 2000, Vanderlei Luxemburgo descartou convocar atletas com mais de 23
anos e apostou em jovens como Ronaldinho Gaúcho, Lúcio, Alex e Roger:
voltou sem medalha, eliminado nas quartas por Camarões. A geração de
Robinho falhou em 2004 e não conseguiu vaga nas Olimpíadas. O retorno da
Seleção foi em 2008, quando Dunga levou Ronaldinho como líder da
garotada, mas a Argentina de Messi e Riquelme bateu o Brasil na
semifinal, ficou com o ouro e viu o time pentacampeão mundial acabar em
terceiro lugar.
Mano escala Alex Sandro e repete escalação pela primeira vez
Alex Sandro ganhou vaga de titular e segue no
time para a final olímpica (Foto: Mowa Press)
Na última atividade antes da decisão, Mano Menezes manteve Alex Sandro
no time titular. Hulk ficará no banco de reservas. O comandante gostou
da postura da equipe na semifinal, no triunfo por 3 a 0 sobre a Coreia
do Sul.
Com isso, a equipe canarinho deverá entrar em campo com a seguinte
formação: Gabriel, Rafael, Thiago Silva, Juan e Marcelo; Sandro, Rômulo,
Alex Sandro e Oscar; Neymar e Leandro Damião.
- Muda um pouco a entrada do Hulk e do Alex Sandro. Com o Alex Sandro,
eu me entrosei mais por ele ser da minha posição. Quando eu vou, ele
fica. Quando ele vai, eu fico. Funcionou bem dessa forma – disse o
lateral-esquerdo Marcelo.
Estrela mexicana desfalca a equipe na final das Olimpíadas
O México não poderá contar com a sua principal estrela na decisão deste
sábado. Com uma ruptura no músculo da coxa direita, o meia-atacante
Giovani dos Santos foi vetado pelo departamento médico. Raul Gimenez,
que entrou na vaga do jogador na vitória por 3 a 1 sobre o Japão, pelas
semifinais do torneio, deve ser confirmado como titular na final.
Por ouro inédito, Brasil terá de superar 'freguesia' para o México em decisões
Nos dois últimos confrontos entre as seleções, uma vitória para cada
lado. Com as equipes profissionais, o Brasil venceu os rivais por 2 a 1,
em Torreon, em outubro do ano passado. Em maio de 2012, o time
principal mexicano bateu a equipe olímpica canarinho por 2 a 0, em
Dallas, nos Estados Unidos. O tira-teima vai acontecer neste sábado, em
Wembley.
Luis Fernando Tena, técnico do México, perdeu Giovani dos Santos para a decisão do ouro (Foto: Reuters)
BRASIL X MÉXICO
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Gabriel, Rafael, Thiago Silva, Juan e Marcelo; Sandro, Rômulo, Alex Sandro e Oscar; Neymar e Leandro Damião. |
Corona, Israel Jimenez, Salcido, Mier e Reyes; Chavez, Aquino e Enriquez; Fabian, Peralta e Raul Jimenez. |
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Técnico: Mano Menezes |
Técnico: Luis Fernando Tena |
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Data: 11/8/2012. Horário: 11h (de Brasília). Local: Wembley, em Londres (Inglaterra). Árbitro: Mark Clattenburg (Inglaterra). Auxiliares: Stephen Child (Inglaterra) e Simon Beck (Inglaterra) |
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Transmissão: o SporTV transmite ao vivo, a partir das 10h, e o GLOBOESPORTE.COM acompanha em Tempo Real |
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