STJ proibe operações-padrões da PF e da Polícia Rodoviária
O
ministro Napoleão Nunes Maia Filho proibiu na noite desta quinta-feira
(16/8) qualquer operação-padrão da Polícia Federal e da Polícia
Rodoviária Federal que impliquem abuso e prejudiquem a livre circulação
de pessoas, mercadorias e cargas lícitas.
A multa pelo descumprimento da decisão é de R$ 200 mil ao dia.
De acordo com o ministro, as operações padrão provocam perturbações
no desempenho das atividades administrativas e geram uma ideia falsa de
desentendimento entre a administração e seus servidores.
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que a decisão de
entrar com a ação na Justiça teve aval da presidenta Dilma Rousseff e é
um recado para outras categorias em greve que adotem procedimentos
semelhantes na prestação de serviços públicos. Segundo Adams, o governo
deve entrar com novas ações caso novas operações-padrão sejam
desencadeadas.
“A prática da operação-padrão é abusiva. Ela não pode ser exercida
como instrumento de pressão. Seja porque a lei não prevê, seja porque é
um desvio de finalidade e um abuso de poder contra o cidadão. Não é mais
tolerável, aceitável, admissível que um servidor público ou um conjunto
de servidores, para o fim de pressionar o governo, abuse de sua
competência, de sua autoridade para fazer pressão”, disse.
O governo espera que, com a declaração de ilegalidade da
operação-padrão, o Ministério da Justiça, a quem as duas forças
policiais estão subordinadas, possa aplicar sanções administrativas aos
servidores envolvidos.
“Entendemos que com a declaração da abusividade da operação, do
desvio da finalidade, o Ministério da Justiça e os órgãos poderão também
promover ações disciplinares contra os servidores que tiverem
realizando esse abuso de competência, esse abuso de poder contra os
cidadãos brasileiros”, disse.
Marcos Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais
(Fenapef), disse que a entidade ainda não foi notificada e precisa ser
notificado para conhecer os termos da decisão. “Preciso ler a decisão,
ver o que eles determinaram, porque podem estar impedindo o trabalho
normal da PF”, disse Wink. Após tomar conhecimento do conteúdo da
decisão, Wink disse que a categoria vai decidir quais serão suas
próximas ações.
Transtornos em Brasília
Durante todo o dia, o Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino
Kubstchek e vários outros no país realizaram uma operação Pente Fino. Na
capital, todos os passageiros passaram pelo processo de revista no
embarque, o que formou grandes filas.
Além de não emitirem passaportes, os policias federais estavam
passando todas as bagagens dos passageiros que iriam embarcar pelo
raio-x e fazendo vistoria nos porões das aeronaves, das bagagens do
desembarque.
Para conter os ânimos dos passageiros, os policiais distribuíram chocolates na fila formada para o embarque.
A PF pede a saída do diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra e a reestruturação da carreira.

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