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Política

Mundo não acaba, mas reforma de Camilo chacoalha secretariado

Com mudanças na equipe, governador inaugura a "nova harmonia" com aproximação dos deputados estaduais que ganham espaço na máquina administrativa


Márcia Serrano em 21/12/2012

Foto: Erich Macias/aGazeta

Camilo Capiberibe / Governador dá posse a novos secretários de Estado
Segundo diversas interpretações de símbolos em monumentos maias, civilização que habitou a região da Guatemala, Honduras e sul do atual México, entre os séculos IV a.C. e IX a.C., o mundo acabaria hoje (21). Como os profetas do Apocalipse erraram e o mundo continua intacto, a vida segue e a ordem do dia é repercutir a reforma do secretariado que o governador Camilo Capiberibe iniciou ontem.
Dorival Ney é o novo secretário de Estado do Turismo (Setur) em substituição a Sandro Bello; Carlos Henrique Schmidt assume a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), no lugar do interino Bruno Gerônimo de Almeida; o chefe de Gabinete Civil do Governo do Amapá será Délcio Magalhães.
A Secretaria de Estado de Transportes (Setrap) será comandada pelo deputado estadual licenciado Bruno Mineiro. E Cristina Almeida, deputada licenciada, será a titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (SDR). A posse está marcada para hoje (21) às 7h30, no Palácio do Setentrião.
As duas vagas deixadas no legislativo serão ocupadas por Jorge Salomão (DEM), da coligação “Aliança Democrática e Trabalhista” e Zé Luis (PT), da coligação “Frente Popular”.
Para não conflitar com a agenda do governador Camilo Capiberibe, os prefeitos diplomados de Macapá, Clécio Luis, e de Santana, Robson Rocha, resolveram adiar o anúncio do secretariado municipal para a próxima semana. A assessoria de Clécio informou que a nova data será divulgada posteriormente. Já Robson Rocha confirmou para quarta-feira (26) o anúncio.
Os discursos dos prefeitos durante as solenidades de diplomação foram distintos e deram o tom de como cada um conduzirá a gestão. Clécio prometeu um pacto anti-corrupção, mas pediu paciência para cumprir as promessas de campanha, porque vai assumir uma prefeitura endividada. “Encontraremos uma máquina engessada por dívidas e com muita coisa a ajustar, muito a se fazer ou refazer. E isso requer tempo”, antecipou. E emendou dizendo que tudo será prioridade.
Robson Rocha fez um discurso pelo pluralismo político e conciliação. Pediu para que todos colaborem com a redução de gastos e prometeu ajustes na máquina pública. “As adversidades não vão diminuir o meu entusiasmo, pelo contrário, me farão construir uma agenda propositiva que responda às necessidades coletivas da população”, disse Robson.
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Apocalipse maia
Os maias não previram o fim do mundo. Segundo a ciência, nenhum planeta errante ou alinhamento cósmico vai acabar com Terra hoje, 21 de dezembro.
O planeta Terra existe há 4,6 bilhões de anos. Os primeiros sinais de vida surgiram há 3,8 bilhões, quando bactérias primitivas começaram a se formar a partir de rudimentares moléculas orgânicas. Dali em diante, por meio do processo de seleção natural, surgiram numerosas outras espécies de seres vivos, que transformaram o planeta outrora estéril em uma Terra cheia de vida.
Há 200.000 anos, esse longo processo de evolução culminou nos Homo sapiens. Nos milênios seguintes, o homem construiu grandes civilizações por todo o planeta e, com avanço de sua tecnologia, começou até a explorar outros mundos. Para aqueles que acreditam no apocalipse maia, essa rica história tem hora marcada para terminar: no dia 21 de dezembro.
Segundo os profetas do fim do mundo, algum misterioso cataclismo deverá atingir a Terra nos próximos dias e pôr fim a toda a vida em sua superfície — dos homens às bactérias. Para os cientistas, no entanto, a profecia é uma bobagem. O mundo não acaba no ano 2012. Mas isso não quer dizer que a história do planeta — e da vida nele — vá durar para sempre.
Os profetas do apocalipse maia se baseiam em inscrições realizadas em pedaços de pedra com mais de mil anos, descobertas no século 20 e mal interpretadas desde então. Essas inscrições representariam o calendário usado pelo povo maia, que duraria exatos 5.125 anos e teria fim precisamente no dia 21. Daí para concluir que eles previram o fim do mundo foi um pulo. Um dos primeiros a destacar essa data foi o escritor americano — e teórico da Nova Era — José Argüelles. No livro O Fator Maia, escrito há 25 anos, ele misturou misticismo, astrologia e arqueologia para dizer que os maias previram que 2012 marcaria uma nova era de paz e harmonia na Terra.
A ideia foi ganhando adeptos — principalmente dentro das fileiras do misticismo e da ufologia — e se transformando até que 2012 passasse a representar o fim da espécie humana. Com a proximidade da data, o apocalipse maia virou um fenômeno pop. Foi tema de filmes, revistas, livros, palestras. Segundo uma pesquisa da Ipsos Global Public Affairs, pelo menos 10% das pessoas ao redor do mundo sentem algum tipo de medo ou ansiedade em relação à data. Mas, quando elas acordarem no dia 22 e nada tiver mudado, existe um povo que elas não poderão culpar pelo engano: os próprios maias.
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Calendários e ciclos
Os maias foram uma civilização avançada que foi capaz de decifrar e prever o movimento de estrelas e planetas por anos. Pensavam também que pela leitura dos astros poderiam antever como as coisas aconteceriam aqui na Terra. Mesmo assim, nunca previram o fim do mundo.
Acontece que o calendário mencionado pelos que esperam pelo apocalipse é apenas um dentre os muitos que os maias usavam. Ele é o calendário de contagem longa, que estipula grandes unidades de tempo. Nele, cada 20 anos (ou tuns, como eram chamados) formavam um katun. Cada 20 katuns formavam um baktun, sua maior unidade de tempo. Depois de 13 baktuns, ou 5.125 anos, o calendário recomeçava do zero. Segundo as evidências arqueológicas, é esse recomeço que está marcado hoje (21).
Mas isso não queria dizer muita coisa. Pesquisadores sérios, que se debruçaram sobre as inscrições, dizem que os maias encaravam o fim do calendário como o fim de uma era. Depois de chegar à data final, a contagem de tempo simplesmente recomeçaria – como os ocidentais fazem quando seu calendário chega ao dia 31 de dezembro.
Não existe nenhum texto maia falando sobre o apocalipse propriamente dito. Já foram encontradas inscrições falando sobre eras anteriores e posteriores à atual.

Ciência do fim do mundo
Apesar de baterem de frente com os defensores do apocalipse maia, os cientistas não afirmam que a vida humana vá durar para sempre. Ao contrário, eles sabem que a história dos Homo sapiens, e da civilização que conseguiram construir no terceiro planeta do Sistema Solar, terá de chegar ao fim - em um futuro ainda distante.
Daqui a um bilhão de anos, a radiação solar deve aumentar de intensidade a ponto de queimar o que estiver vivo e evaporar toda a água da Terra. Se o homem conseguir bolar algum jeito de sobreviver, em quatro bilhões de anos a Galáxia de Andrômeda deve se chocar com a Via Láctea, causando uma série de colisões estelares. Se a Terra passar incólume, em cinco bilhões de anos o Sol se tornará uma estrela gigante vermelha, e consumirá o planeta em suas chamas.
Segundo alguns cálculos, pelo menos 99% das espécies que já habitaram o planeta estão extintas. Até quando a humanidade pode driblar seu destino inescapável?
Estoque de água, comida e remédios
Assim como muitos moradores da cidade de Pirenópolis, no interior de Goiás, o empresário Hélio Teruo, 51 anos, tem uma imensa piscina de fibra de vidro em casa. O município, distante 140 quilômetros de Brasília. “Comprei para usar como uma caçamba flutuante”, explica o dono da casa, um paulistano de fala rápida e ansiosa que se mudou para Pirenópolis em julho, deixando para trás uma empresa de arquitetura e construção de prédios comerciais de alto padrão na região da avenida Paulista, casa e dois de seus três carros. “Quando o tsunami chegar, meu estoque de comida estará seco e salvo dentro dela, entendeu?”
Como milhares de pessoas espalhadas pelo planeta, Hélio Teruo é um dos que acreditam e se preparam para encarar o fim do mundo nesta sexta-feira, dia 21 de dezembro de 2012. “Meu objetivo é sobreviver”, diz, em tom grave.
Para isso, Teruo vem estocando comida, água e remédios há mais de seis meses. Arroz, milho e feijão, farinha de mandioca, amendoim e frutas secas, além de ervilhas, cenouras e salsichas em conserva começaram a ser adquiridos em grandes quantidades por ele e a mulher, Luzia, quando o casal ainda morava em São Paulo. Curativos, material de primeiros socorros e até anestésicos para procedimentos cirúrgicos também foram acumulados, bem como litros e litros de água potável. A ideia é que, com o estoque, ambos sobrevivam pelo menos dois anos sem precisar sair de dentro de casa.
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Nasa desmente
O medo e a ansiedade são a grande força motriz dos apocalípticos. Para eles, ainda que a Nasa – agência espacial norte americana – tenha vindo a público desmentir as teorias de fim dos tempos e até o Vaticano tenha emitido um comunicado oficial afirmando, categoricamente, que o mundo não acaba na próxima sexta-feira, a simples possibilidade, embora remotíssima, do fim é mais forte e atropela qualquer lampejo de racionalidade. “O medo é uma emoção de defesa do indivíduo”, diz Rosana Dório Bohrer, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Psicologia nas Emergências e Desastres (Abrapede). “E o temor da morte é difícil de ser superado.” É ele que se manifesta, como desdobramento da ansiedade, com grande intensidade nesses momentos. E resgatar profecias antigas é uma forma de lidar com essas ansiedades da vida moderna. “É uma maneira de projetar um fim para que haja um recomeço”, afirma a antropóloga Clara Mafra, coordenadora do programa de pós-graduação em ciências sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). (Com informações dos sites das revistas IstoÉ e Veja)

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