Jovem baiano de 280 kg deixa UTI e é transferido para quarto de hospital
Unidade diz que Francisco Júnior apresentou melhora no estado de saúde.
Jovem de 23 anos sofre de síndrome rara que causa apetite excessivo.
filho (Foto: Berna Farias/Ascom HGRS)
A mãe do jovem, Maria Aurizete, disse que agora vai acompanhar mais de perto o tratamento do filho. "Vão levar toda a aparelhagem para o quarto. Aí vai melhorar porque eu vou poder dormir lá", contou. Ela tem dormido na casa de uma amiga enquanto Francisco Júnior não pode retornar à casa na cidade de Serrinha, nordeste da Bahia. O filho dela sofre da síndrome Prader-Willi, que gera apetite excessivo, e deverá passar por uma cirurgia bariátrica em até seis meses, segundo os médicos.
“Eu estou na casa de um colega, que fica próximo ao hospital. Eu pegava dois ônibus, mas não tenho mais como ficar gastando porque até o momento não tive ajuda. Eu vendi tudo para cuidar dele”, relatou Maria Aurizete, que trabalhava como vendedora de roupas.
Apesar de ter tido sete filhos, apenas dois deles moram com ela: Francisco Júnior e uma menina de 16 anos, que possui síndrome de down, segundo conta. “Tem 16 anos e não conversa, fica calada, só faz chorar. Não toma banho só, não se cuida. Quem está cuidando dela agora que eu estou aqui [em Salvador] é minha irmã”, apontou.
Estado de saúde
A mãe reconhece a situação difícil que o filho se encontra, mas mantém a esperança de um dia ele melhorar o seu estado de saúde. “Eu estou esperançosa uma parte porque o médico já me avisou que ele [Francisco] não vai melhorar da apneia [problema respiratório] de jeito nenhum. O aparelho respiratório nunca vai deixar de acompanhar ele. Mas que seja como Deus quiser", disse.
A mãe ainda não sabe como vai receber o filho em casa quando ele tiver alta médica. “Tomara que, com fé em Deus, ele esteja próximo de retornar pra casa. Mas as condições de retorno não sei como vão ser. No interior, eu não tenho um quarto adaptado para Francisco. Eu cuidava dele na cama”, diz.
(Foto: Ruan Melo/G1)
Segundo Osmário Salles, chefe do setor de endocrinologia do Hospital Geral Roberto Santos, Francisco Júnior deverá passar por uma cirurgia bariátrica para reduzir o estômago em seis meses. "O paciente tem 280 quilos, já chegou com infecção respiratória, infecção de pele. Nós estamos tratando essas infecções. No tratamento vai ser colocado um balão intragástrico. Esses pacientes desenvolvem muita dilatação gástrica, mas não tem jeito. Vamos tentar colocar o balão e esse paciente vai ficar seis meses com ele. É o tempo que a gente vai tratando ele clinicamente. Após seis meses, perdendo peso, nós vamos fazer a cirurgia bariátrica, que também nessa situação é extremamente grave. Há pouca experiência e a mortalidade é muito grande da cirurgia bariátrica nesse tipo de paciente [obeso]", relatou o médico.
Segundo Salles, a síndrome que Francisco Júnior possui é rara e pode ser identificada enquanto o feto ainda está na barriga da mãe. "Os obesos tem uma causa endócrina ou uma causa genética para a sua obesidade. O nosso paciente tem a principal síndrome da obesidade associado à genética. Se fizer o ultrassom, são aqueles fetos com pezinho pequeno, mãozinha pequena. Quando nasce, é uma criança extremamente hipotônica, com fraqueza, com dificuldade em sugar o seio da mãe", explicou.
Entre os dois e três anos, a criança começa a apresentar apetite excessivo por conta da doença e passa a engordar de maneira acelerada. "Elas não param de comer. Além disso, ela tem uma fraqueza muscular intensa. Essas crianças desenvolvem atrofia muscular muito grande, osteoporose, má formação esquelética, baixo QI [quociente de inteligência]. Esses pacientes dificilmente passam dos 40 anos", apontou.

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