Terça, 07 Janeiro 2014 minha opinião todo ano esse senho sempre da esse show paticula !!

Caso de dor e de processo caduco

fonte jornal Diario do Amapá
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CAPA1 GOVERNO
Um atropelamento ocorrido por volta de 18h do dia 23 de julho de 1985, no cruzamento da rua Eliezer Levi com a avenida Marcílio Dias, bairro Jesus de Nazaré, em Macapá, mudou para sempre a vida do ex-motorista Paulo Sérgio Souza da Silva, hoje com 47 anos de idade.

O então jovem de 19 anos trabalhava em uma empresa e era responsável por apanhar e deixar os colegas de trabalho em casa. Naquele fatídico início de noite, Paulo trafegava em uma motocicleta pelo cruzamento quando um carro da extinta Secretaria de Obras e Serviços Públicos (Sosp), atual Seinf, atravessou a preferencial e atingiu violentamente a vítima.

“Fiquei dois anos sem andar. Tive fraturas múltiplas nas pernas e bacia. Desde então não consegui mais traba-lhar”, relata o homem, emocionado. Morador do bairro São Lázaro, na zona norte, Paulo resolveu desabafar suas angústias pintando placas e faixas de protestos. Algumas delas dizem: “dor 24 horas”, “Governo me deve”, “Governo avança sinal, atropela e foge”.

Todas fazem alusão ao acidente. É que jamais o governo indenizou o ex-motorista. Vinte e oito anos após o acidente, o processo caducou e Paulo não recebeu um centavo sequer. Juridicamente ele perdeu todos os prazos legais.

“Eu só queria ser aposentado. Nem isso consegui durante todo esse tempo. O próprio INSS não deu importância para o meu pedido de aposentadoria. Pintar essas placas virou um hobby para mim. É minha indignação contra o estado e a própria Justiça que nunca olhou para este pobre desgraçado”, desabafa.

As placas, mais de mil delas, estão espalhadas tanto fora, quanto dentro da casa. Não há como passar pelo local e não notar os apelos. “A única coisa que ganhei nesse tempo foi o seguro DPVAT. Porém, dos R$ 18 mil da indenização só recebi R$ 1 mildo meu advogado . Ele foi outro que me lesou”, disse Paulo Sérgio.

“Eu tinha meu emprego de carteira assinada, casa e uma esposa. Depois desse acidente só fiquei com minha casa. Outras coisas importantes na minha vida acabei perdendo. Hoje vivo sozinho, com graves problemas de saúde. Sei que não vou receber mais nada do governo, e aqui não falo de governador A ou B, mas do Estado de Direito. Mas enquanto tiver forças para pintar, vou mostrar minha indignação pra todo mundo”, concluiu.

Juristas consultados pelo Diário do Amapá disseram que o caso do ex-motorista é irreversível, já que o processo caducou. Porém, eles não descartam a possibilidades de ingresso de outras medidas para tentar, pelo menos, aposentar Paulo Sérgio.

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