Demóstenes volta a trabalhar no Ministério Público de Goiás
O
ex-senador goiano Demóstenes Torres (sem partido), que teve seu mandato
cassado na semana passada devido ao envolvimento com o bicheiro
Carlinhos Cachoeira, voltou a trabalhar nesta sexta-feira no Ministério
Público de Goiás (MP-GO). Demóstenes perdeu seu mandato e, um dia
depois, reassumiu o cargo de Procurador de Justiça no MP-GO, do qual
estava licenciado há 13 anos. Na ocasião, ele solicitou um abono
funcional de cinco dias, um direito dele, para fazer a mudança para
Goiânia e, com isso, recomeçar no emprego. O prazo venceu e Demóstenes
já voltou a trabalhar como procurador.
O
ex-senador ainda corre o risco de perder o emprego. Na última
sexta-feira, a Corregedoria-Geral do MP-GO instaurou uma reclamação
disciplinar para apurar a conduta de Demóstenes. Ele é acusado de ser o
principal operador político do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso em
fevereiro pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo.
Demóstenes estará sujeito às penas que vão de advertência a demissão. O
prazo para concluir o processo disciplinar é de 120 dias, prorrogáveis
por igual período.
Embora
a maioria dos senadores tenha avaliado que Demóstenes quebrou o decoro
e, por isso, não tinha mais condições de continuar no Parlamento,
ficando inelegível até 2027, não há impedimento legal para que ele
exerça a função de procurador. Por outro lado, a Lei Orgânica do MP
goiano abre a possibilidade de afastamento antes da conclusão do
procedimento disciplinar.
O
procurador-geral de Justiça de Goiás, por solicitação do corregedor e
ouvido o Conselho Superior do Ministério Público, pode afastar um membro
que esteja sob investigação interna, mas sem prejuízo de seus
vencimentos e vantagens. Além disso, o afastamento é limitado a 60 dias,
prorrogáveis por mais 60. Em Goiás, o Ministério Público é comandado
por Benedito Torres Neto, que está impedido de analisar os casos
envolvendo seu irmão, o ex-senador Demóstenes. (O Globo)

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