Corrupção
Policial recebeu de Agnelo R$ 7,5 mil
Vinicius Sassine / O Globo
Os dados da quebra do sigilo bancário do governador do Distrito
Federal, Agnelo Queiroz (PT), confirmam três transferências e um
recebimento de dinheiro envolvendo personagens que já acusaram o petista
de corrupção. Relatório do Banco de Brasília (BRB) encaminhado nesta
semana à CPI do Cachoeira mostra que o policial militar João Dias
Ferreira recebeu R$ 7,5 mil de Agnelo, por meio de três cheques de R$
2,5 mil descontados entre fevereiro e março de 2008. João Dias é
suspeito de desvios no Ministério do Esporte, pasta comandada por Agnelo
entre 2003 e 2006, e denunciante de um suposto esquema de pagamento de
propina na pasta. No início de 2008, João Dias se reuniu com a cúpula do
ministério e ameaçou denunciar o esquema.
Em janeiro de 2008, Daniel Tavares depositou R$ 5 mil na conta do
petista no BRB, como mostra o relatório enviado à CPI. Funcionário do
laboratório União Química, Daniel denunciou, no ano passado, que o
dinheiro era pagamento de propina. Depois, recuou e inocentou o
governador.
O Superior Tribunal de Justiça já abriu dois inquéritos para investigar
Agnelo. Os pagamentos ao policial João Dias, no mesmo momento em que
ele ameaçava denunciar desvios no Esporte, segundo o porta-voz do
governador, são "claramente transações comerciais" e uma "coincidência
de datas". A explicação é a compra de um carro. João Dias vendeu o
veículo e, dois meses depois, teria desistido do negócio.

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