Desemprego no Amapá é o maior do país, segundo IBGE

Os números foram divulgados pelo IBGE com base no último censo realizado nas capitais brasileira








De acordo com os últimos dados divulgados pelo Censo 2010, o Amapá é o Estado com o maior índice de desemprego em todo o país. A maior parte (88%) dos municípios apresentam desemprego acima da média.
Sem dúvida, este é um retrato das desigualdades regionais que, mais uma vez, persistem, a despeito do crescimento econômico dos últimos anos. Enquanto mais da metade dessas cidades está no Norte e Nordeste, o Sul não tem sequer um município com taxa de desemprego tão elevada. “O mercado de trabalho no Sul é mais organizado, num reflexo do desenvolvimento econômico dos seus estados”, resumiu João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ.
Os números do desemprego levantados pelo IBGE podem estar defasados, por causa da realidade econômica vivida no Amapá, onde estão sendo executadas várias obras. “A retomada da construção civil com as obras públicas e seus conjuntos habitacionais aqueceu, em parte, o índice no último um ano e meio. Acredito que o Amapá esteja hoje desfrutando de um cenário melhor do que o refletido pelo Censo 2010”, comentou Armando Souza, economista.
De acordo com os dados baseados no Censo 2010, o Amapá amarga o último lugar no ranking dos municípios com pleno emprego. Enquanto que o Rio de Janeiro e a Bahia ocupam o penúltimo lugar com apenas 1% de municípios com pleno emprego, o Amapá nem aparece nos percentuais.
Por outro lado, o Estado tem o maior índice de municípios com desemprego acima da média, seguido também do Rio de Janeiro e da Bahia.
A taxa do desemprego médio no Amapá é de 11,9%, considerada a maior do país. A taxa do país é de 7,6%.
Entre os municípios do Amapá com o maior índice de desemprego está Itaubal com 26%. Lá, apenas 400 pessoas aparecem como empregadas. Em segundo lugar está Vitória do Jari com um índice de desemprego de 18,7% com apenas 814 pessoas empregadas.
Os maiores índices de emprego aparecem em Pedra Branca, Oiapoque, Tartarugalzinho e Cutias.

Crescimento
O pleno emprego também é um retrato das desigualdades nacionais. Na Região Sul, que não é o motor da economia brasileira, 56,64% das cidades têm taxa de desocupação menor do que 3,5%. Ainda que parte dos municípios com baixa taxa de desemprego seja da zona rural, os dados corroboram a tese de que o crescimento do país se volta cada vez mais para o interior. Leia-se: a quilômetros de distância das regiões metropolitanas — essas, sim, amargando, em geral, taxas mais elevadas. Fora dos grandes centros, há mais espaço e menos custo para empresas.

Pesquisa completa
O Censo é o único indicador que traz dados de todas as cidades, ao contrário da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) com informações de regiões metropolitanas. O Caged, que traz o saldo dos empregos formais, aponta para uma desaceleração por causa da crise externa. De janeiro a junho de 2010, foram criadas 1,63 milhão de empregos, ante 1,04 milhão até junho de 2012. Vagas são abertas, mas num ritmo menor.

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