Empresa de Luiz Estevão terá de devolver R$ 468 milhões aos cofres públicos
A
Advocacia-Geral da União (AGU) anunciu hoje que o Grupo OK, empresa do
ex-senador Luiz Estevão, terá de ressascir R$ 468 milhões aos cofres
públicos devido aos desvios de verba pública na construção do Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP). É o maior valor da história
do país que a União terá em devolução em um caso de corrupção.
O Diretor do Departamento de Probidade e Patrimônio Público da
Procuradoria-Geral da União da AGU, André Mendonça, explicou que R$ 80
milhões deverão ser pagos à vista e o restante, R$ 388 milhões, em 96
parcelas de R$ 4 milhões, corrigidas mensalmente pela Selic. Os valores
referem-se a duas ações de execução de decisões do Tribunal de Contas da
União (TCU), nas quais a AGU atuou na Justiça. Uma cobra multa e a
outra, débito principal referente ao desvio de dinheiro público da
construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, iniciada em 1992.
Segundo a AGU, o acordo corresponde apenas a parte da dívida, pois
foi feito um cálculo baseado nos critérios de correção utilizados pelo
grupo empresarial. A diferença em relação ao valor calculado pelo TCU é
de R$ 542 milhões. A AGU vai tentar cobrar este valor judicialmente. Com
isso, no total, o ressarcimento à União pelo desvio seria de cerca de
R$ 1 bilhão.
Para assegurar o cumprimento do acordo, a AGU manterá a penhora de
1,2 mil imóveis e de aluguéis de imóveis do Grupo OK, que giram em torno
de R$ 2,5 milhões mensais. Pelos termos do acordo, serão mantidos ao
menos 150% de garantia para o pagamento do que é devido (parte
controversa e incontroversa, ora acordada). O acordo abrange somente
parte da dívida, montante calculado segundo critérios sustentados pelo
Grupo OK. A parte remanescente, sobre a qual não há consenso, ou seja,
diferença em relação ao valor calculado segundo critério do TCU,
continuará sendo cobrada judicialmente pela AGU, cerca de R$ 542
milhões.
“Eu desejava que fosse reconhecido que não tenho que ser pagador de
qualquer importância. Mas o preço de continuar nessa briga e o tempo são
mais caros do que isso. O TCU alegou que a minha inclusão no processo
aumentariam as chances de ressarcimento aos cofres públicos. Estou
pagando uma dívida que não é minha”, disse Luiz Estevão ao Correio.
Segundo ele, nos últimos meses, a Justiça bloqueou as contas bancárias
dos seus filhos e suas empresas. “Isso me lembra os tempos de
Inconfidência Mineira, quando foram condenados os filhos e os netos dos
envolvidos. Nessa execução fui vítima de um retrocesso que me lembra os
tempos de Brasil Colônia”, afirmou
Leandro KleberCorreio Braziliense

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