Escolas particulares ameaçam ir à Justiça contra cota em universidade |
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As escolas
particulares reagiram ao projeto aprovado anteontem no Congresso
Nacional que reserva 50% das vagas das 59 universidades federais a
alunos da rede pública e ameaçam ir à Justiça.
Para
entrar em vigor, a proposta só precisa ser sancionada pela
presidente Dilma Rousseff, que apoia a iniciativa. Para o governo, a
medida amplia o acesso de setores menos favorecidos da população ao
ensino superior. A Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares)
criticou o texto e diz que estuda contestar a norma judicialmente.
"Existe um questionamento jurídico que a gente pode fazer, e estamos
estudando a matéria", disse a presidente, Amábile Pacios. Ela reconhece a
necessidade de políticas para setores historicamente desfavorecidos,
mas diz que o caminho escolhido não é o adequado. Para Pacios, é
necessário primeiro o governo melhorar a qualidade da rede pública de
educação básica em vez de priorizar medidas que foquem o
ensino superior.
"A igualdade é
garantir para esses meninos beneficiados pelo projeto uma escola pública
de qualidade. Não é fechando a entrada dos alunos das particulares que
você corrige isso", afirma. Ela pondera ainda que o projeto prejudica
alunos bolsistas das escolas privadas. "Você está pagando uma dívida e
formando outra."
AUTONOMIA
A Andifes (associação dos reitores das universidades federais) também não
descarta
recorrer à Justiça para contestar a mudança no processo de ingresso nas
instituições de ensino federais. A entidade alega que o projeto de lei
fere a autonomia das universidades de definir os critérios de entrada no
ensino superior, que é prevista pela Constituição Federal.
O
presidente da Andifes, Carlos Maneschy, diz, porém, que o tema
somente será discutido depois de encerrada a greve dos professores,
iniciada em maio. "Todo nosso esforço colegiado agora é na solução da
greve, mas vamos discutir as cotas", disse.
Reitor da Federal do Pará, que já reserva 50% das vagas, Maneschy elogia
políticas de ação afirmativa, mas vê com ressalvas a proposta. "O projeto
não
olha os princípios da autonomia universitária de decidir,
individualmente, seu próprio modelo de cotas. Os Estados brasileiros são
diversos, há especificidades que não são contempladas no projeto."
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| Por Folha Uol |
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