Para se tornar lenda, Bolt diz que ainda falta vencer os 200 m
RODRIGO MATTOS
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES
Usain Bolt, 25, fez pesar sobre seus adversários todo a pressão de sua
lenda. Na corrida mais rápida da história, o jamaicano sobrou, de novo, e
obteve seu segundo título olímpico nos 100 m. Seu desempenho o deixa a
um passo de se tornar o maior velocista de todos os tempos. Seus
resultados o credenciam para desafiar até Michael Phelps, o maior
medalhista, no olimpo dos Jogos.
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Usain Bolt comemora a vitória dos 100 m da Olimpíada
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Antes da corrida, ficava claro quem dominava a cena. Todos exibiam
rostos fechados na área de aquecimento. Bolt pulava para as câmeras. Não
era uma concorrência qualquer que estava a sua frente. Yohan Blake,
Justin Gatlin e Tyson Gay tinham todos tempos abaixo de 9s80. E estavam
tensos.
Assim foi no bloco de largada. Fora a imitação de tigre de Blake, um
gesto de marketing, ninguém fazia piadas ou aplaudia o público como o
recordista do mundo. "Ele vai se sair melhor da próxima vez. Estava um
pouco estressado no início", comentou Bolt sobre Blake, seu maior
concorrente e também amigo de treinos.
Um velocista, dizem todos os técnicos, tem que ser relaxado para acertar
a técnica. Ainda mais quando 80 mil pessoas silenciam para vê- -lo.
Segundo um dos atletas, dava para ouvir um alfinete cair no chão. Só
então Bolt fechou a cara. E largou mal, como sempre acontece com ele.
A corrida era dominada pelo trio Blake, Gay e Gatlin pelo menos até a
metade. Até que, já com o corpo reto e com a aceleração correta, as
passadas do gigante fizeram diferença na ultrapassagem.
Superou os três em bloco. E, como sua corrida quase não sofre
desaceleração, não havia mais como pegá-lo. "Nem me preocupo mais com a
largada, me concentro nos meus 50 metros finais que são meu melhor",
disse.
Seu tempo final foi 9s63. É o recorde olímpico, inferior ao que marcou
na final do Mundial de Berlim. É 12 centésimos a menos do que o
medalhista de prata Blake. É o segundo melhor tempo de todos os tempos,
atrás só de seu recorde mundial.
A concorrência ajudou. Até o quarto colocado, todos marcaram tempos de
9s80 para baixo. Entre os finalistas, só Asafa Powell, que se contundiu,
acabou acima dos 10s. "Esses caras subiram minha corrida. Eram os
melhores", exaltou o campeão.
As declarações finais mostraram colegas satisfeitos só de fazer parte da
lenda do jamaicano. "Bolt é Bolt", definiu o medalhista de bronze,
Gatlin. "Ele me encorajou e me motivou", contou Blake.
Para Bolt, era só mais um passo. "Avisei: antes dos 200 m, não dá para
dizer que sou uma lenda." Mas sua atitude mostra que já desafia os
grandes. Questionado se em 2012 enfim seria o maior da Olimpíada, pois
em 2008 Michael Phelps o teria ofuscado, Bolt desdenhou. "Realmente? Não
recebi essa informação."
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