Ponto fraco da acusação pode ajudar réus do mensalão
A
contundência da sustentação oral do procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, que incluiu pedidos de prisão de 36 dos 38 réus do
processo do mensalão, não livrou seu trabalho de críticas reservadas de
ministros do Supremo Tribunal Federal e de autoridades que
acompanharam as investigações do escândalo.
O
potencial beneficiário de alegadas falhas no trabalho do Ministério
Público Federal é o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado
como “mentor intelectual” do que Gurgel chamou de “mais atrevido caso
de corrupção e desvio de recursos no Brasil com o objetivo de comprar
parlamentares”.
A
corte está dividida. Alguns ministros do Supremo usarão o que
consideram fragilidades da acusação para votar pela absolvição dos
principais réus do processo, que começou a ser julgado na quinta-feira.
Outros magistrados, mesmo com reprovações à peça acusatória,
mostram-se dispostos a condenar os protagonistas do escândalo que
abalou o governo Luiz Inácio Lula da Silva em 2005.
Denúncia.
“É uma denúncia para a galera”, disse uma autoridade que acompanha o
caso desde o início. Segundo ela, o erro da acusação foi não ter
imputado a Dirceu o crime de lavagem de dinheiro – o ex-ministro
responde por corrupção ativa e formação de quadrilha. No início,
acrescentou, acreditava-se que tinha sido “bobeada” do Ministério
Público Federal, do então procurador-geral Antonio Fernando de Souza,
autor da denúncia.
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